Desdobrável
Neste tempo atual, em que a imagem está corrompida pelo excesso de informação e pela qualidade comercial, é animador o resgate, por meio de uma pesquisa minuciosa, da artista Laura Salgado. Conheci-a quando ela chegou a São Paulo, em 1972, e montou seu ateliê no espaço que eu, recém-formado, havia aberto com sócias – o Atelier Escola. Nossa convivência fez com que nossas ideias convergissem em um parentesco artístico. Laura possuía um conhecimento profundo da materialidade, tornando-se uma artista fundamental para a modernidade brasileira, o que esta exposição agora revela.
Em todos os períodos da história o homem mostrou conhecimento e tirou proveito dos elementos fogo, água, e ar para mover máquinas e criar possibilidades de dissolver substâncias sólidas, fundir metais e secar líquidos.
Um preceito perfeitamente compreendido pela Laura Salgado. Lembro-me do sorriso do canto de boca da Laura e o motivo desse gesto dela é que penso, quando viva, tinha a consciência de que somos basicamente matéria e energia e que cabia a ela, uma artista, confirmar isso através da ação prática ao fazer uma obra. E concluo que o sorrir é uma manifestação que vem da simplicidade e penso que o simples é o caminho mais difícil de se percorrer durante a vida.
Marcio Périgo
Curador

